quarta-feira, 22 de abril de 2015

Quem muito come, muito caga!!!



Sempre foi o lema cá em casa... Já vem dos nossos antepassados e seus descendentes.

Lembrar que o avô fazia canções de flatulências, ou o primo que no meio da conversa "larga" um ponto final, até mesmo nos almoços de domingo ter de passar pela porta da casa de banho com uma máscara antigás, ou ver um tio a correr para a sanita, é o nosso dia-a-dia.

Mas a coisa mudou. Bastou ficar grávida, para o ritual da manhã mudar e não conseguir sair de casa mais aliviada e leve, a saltitar de nenúfar em nenúfar!

Qual enjoos, qual quê! Esses nunca os senti! Agora prisão de ventre!!! Essa foi muita... Foi tanta que ainda hoje sofro e por mais bifidus activus que beba,  o trânsito intestinal teima em estar lento e a sensação de barriga inchada veio para ficar!!!!

Quando "explodi" a Paxulé, ainda na maternidade, o Dr. Vítor ficou impressionado com o tamanho da minha pança e depois de me examinar, conclui-o:
- Bem... Isto são tudo gases que têm de vir cá para fora. Ouves isto? - Batendo na barriga - Até podes fazer músicas, parece um tambor! – Riu-se.

Lá viemos para casa cheios de medicamentos, que fossem capazes de largar gases...
Mais os pensos xxl e as cuecas-fraldas etc e tal. Aquilo era uma orquestra lá em casa!

Fiz de tudo, o que há para fazer, exercício físico, comi alimentos ricos em fibras, cheguei a beber 3 litros de água por dia (parecia um aquário), aveia ao pequeno-almoço, ameixas, um copo de água quente logo quando acordo, famoso laevolac, que me acompanha desde o terceiro mês de gravidez...... Mas a prisão de ventre ficou e está a demorar a bazar.

... Mas tal como eu, sofre a Paxulé!!!

De punho erguido, lá “vomitava” aquele choro estridente, gritado e aflitivo... com as pernas esticadas, a barriga dura ou oca… Tinham chegado as faladas cólicas. Uns phones para proteger os nossos ouvidos, nessas alturas, nem é mal pensado.

Estratégias de colo ou a recriação do ambiente uterino, as massagens, os sons do shhh, do aspirador, da ventoinha etc., o saquinho de água quente,  ou o saco das sementes na barriga, o famoso bebe gel e a estimulação, os areo-on, infacol, infacalm, gripe water, muito carinho e dedicação foi a nossa ocupação nos primeiros 4 meses.

- É normal Vanessa, um bebé que mame  ao peito, até pode ficar uma semana sem fazer cocó. Não te preocupes, isso passa - Diziam no Centro.
Porra, nunca deixei que isso acontecesse! Imaginem, ficarem uma semana sem cagar?! Livra!
De três em três dias, no máximo, lá recorríamos ao Melilax, um laxante natural de mel, e, pimba passado uns minutos lá se ouvia a chegada da Sra. Cagada!!!
Ficávamos todos contentes e a Paxulé ria e ria e depois dormia. O descanso familiar reinava nessa noite.
No dia seguinte, tudo recomeçava... 

Amigos e parentes, carinhosamente diziam:
 - Vais ver, que quando ela começar a comer sopa, vai fazer muitos cocóoss!!!!

 Acreditei. Fazíamos contagem decrescente para o dia da primeira sopa. Ansiosos, para que os legumes fizessem o seu trabalho...mas dia chegou e nada!
Comia, comia e comia e a fralda sempre limpinha.
-Ó meu Deus! Ela vai explodir! - pensei - vou já falar com a pediatra.

Ok, vamos lá, beber água, muitos legumes verdes, comer papaia, um pouco de sumo de laranja, são as recomendações da médica…


A Paxulé adorou tudo o que experimentou, menos a água que não tem sabor, e ,sempre que lhe damos, franze o sobrolho, fica sem perceber o que fazer com aquele líquido na boca, e deita-o cá para fora!!!

Passaram semanas e o cocó era escasso e muito duro, do género de bolinhas de cabra, ou almôndegas de cocó.

Brr...Trocar a fralda tornou-se num mistério.
Tem ou não tem?! 
Quando tem, é uma festa e todos gritam de felicidade, confettis e serpentinas invadem o espaço, quando não tem, uma nuvem negra paira no ar e começa a trovejar… uma verdadeira tempestade!

Agora toma laevolac, como eu, e, ao que parece está a entrar para o padrão familiar regular, pois sempre ouvi dizer que quem muito come, muito caga!

Assim esperamos nós que seja…



 E coincidência ou não, enquanto escrevia este post, recebo uma mensagem do pai pinguim;

“Queria fazer uma visita. A tua filha já caga que nem gente grande ;) beijos” 




terça-feira, 14 de abril de 2015

Ontem regressei ao trabalho... dia estranho... dia anti-natura... E hoje faz 5 meses que sou mãe...

Já passaram 5 meses e hoje aqui sentada no meu posto de trabalho, sem a Paxulé ao pé de mim, revi o blog e há tanta coisa por desenhar e tudo foi tão rápido...

Já tenho saudades de dar um beijinho bom nas bochechas gordas da Paxulé, ou de limpar a fralda com uma almondega de cocó...

Já tenho saudades das risadas e bolsamentos constantes que sujam as roupas, das mudas de babetes constantes, do embalamento para se acalmar, dos berros do choro aos meus ouvidos, da ictericia, do acne infantil, do sinal do peito a crescer...

Já tenho saudades da Paxulé recém-nascida e dos stresses de não perceber nada de como cuidar de uma coisa tão pequenina...de todos opinarem e de quererem ir ver o novo "leitãozinho" da família enquanto eu só queria paz e sossego... até tenho saudades das dores que tive no Sr. repolho todo "costurado", ou das mamas a escaldar e a inchar...

Já tenho saudades dos dias no Hospital da Cruz Vermelha, do fato de super-homem que o pai Pinguim vestiu nesses dias, da senhora de mãos gastas e vividas que ajudou a que a Paxulé saísse do casulo...

Já tenho saudades de acordar o Pai Pinguim às 7 da manhã a dizer que não passa de hoje, por isso, está na hora de fazer as malas e arrumar a casa, entre contrações e massagens.

Já tenho saudades de ligar ao Dr. Vitor e dizer que estou em trabalho de parto em casa, por isso,  que prepare tudo, pois estou prestes a explodir.

Já tenho saudades de não ver os pés, de rebolar em vez de andar...tenho saudades de ter contrações antes do tempo e de ir de baixa para casa, sem nada para fazer e tentar baixar os niveis de stress em repouso absoluto.

Já tenho saudades de ir comer um pastel de massa tenra ao Frutalmeidas e de oferecer um à Dona Rosa antes das ecografias... e as saudades das ecografias... de ouvir o coração e pensar que aquele peixe que nada dentro de mim vai mudar toda a percepção da minha vida... pucha!!!

Já tenho saudades de comer laranjas atrás de laranjas ou maças atrás de maças e de saborear o mais reboscado sabor da fruta...

Já tenho saudades de mijar para o teste de gravidez com o Saguim a olhar para mim e de ir a gritar até ao quarto, saltar para a cama e em cima do Pai Pinguim dizer:


ESTAMOS FODIDOS... ESTOU GRÁVIDA!!!!



PS: Não digam ao meu coordenador que estive aqui... mas vou tentar actualizar o blog aos poucos, entre os intervalos do trabalho e outros tempos mortos... sim, só nesses tempinhos, porque quando estou com a Paxulé tudo o que quero é estar 100% com ela... agora ainda mais.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

NÃO DESAPARECEMOS...

Não desaparecemos.

Agora estamos no UNIVERSO PAXULÉ!
Novos episódios surgirão, mas ainda falta para os publicar, que isto de ser mãe é um trabalho a full-time de 24 horas, sem fins-de-semana, folgas ou férias e pouco tempo resta...

Entretanto, a Odisseia continua, e, se tudo correr bem, teremos novidades das boasss!